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    Como a China quer virar a primeira e mais desenvolvida economia do mundo

    O gigante asiático, que completa 70 anos de regime comunista, deixa de ser o país da cópia para se tornar o centro global mais pulsante da inovação

    RUMO AO ESPAÇO -  Ambição: em agosto, o país se tornou o segundo, após os EUA, a lançar um foguete reutilizável


    “Nada pode impedir que a nação e o povo chinês avancem.” Assim falou o presidente Xi Jinping na porta de Tiananmen, o mesmo local onde Mao Tsé-tung (1893-1976) proclamou a fundação da República Popular da China, exatos setenta anos antes, em 1º de outubro de 1949. Entre tanques e aviões, destacou-se ainda o desfile de inovações, fruto de avanços tecnológicos liderados pelo regime comunista, que é politicamente fechado (na prática, uma ditadura) mas aberto à economia de mercado e aos investimentos estrangeiros. A nação que era conhecida como o país da cópia usou o evento para reforçar no mundo a imagem de seu grau avançado de desenvolvimento. Entre outras engenhocas, exibiu um drone hipersônico e um novíssimo míssil balístico intercontinental — com capacidade para transportar dez ogivas nucleares em direção a qualquer ponto dos Estados Unidos.

    Não há registro no mundo de uma transformação tão drástica quanto a desencadeada pelos chineses nas últimas décadas. Durante boa parte do século XX, a China mal havia se industrializado, a maior parcela da população passava fome e o país era visto como exemplo de como um antigo império pode se autodestruir em consequência de sucessivos erros políticos e econômicos. Entretanto, a China promoveu um invejável plano de recuperação que a tirou do papel de polo miserável e a transformou no maior mercado consumidor do planeta e na economia que só perde em tamanho para a dos Estados Unidos. Planejados como uma política de governo seguida à risca, os maciços aportes de dinheiro em tecnologia funcionam como motores por trás dessa revolução e fazem do gigante asiático o centro mais pulsante de inovação no mundo, desafiando o poderio americano nessa área.

    RUMO AO FUTURO – as comemorações do aniversário da República Popular da China


    “O futuro pertence à China”, disse Lei Jun, o carismático fundador da fabricante de celulares Xiaomi, de Pequim, em uma conferência realizada no ano passado em São Francisco, nos Estados Unidos. Recentemente, a Xiaomi lançou seu segundo modelo de telefone para 5G, o revolucionário sistema de conectividade. O gigante asiático largou na frente na corrida comercial em torno da novidade. Em diversas áreas, como a de conexão com a internet, por meio da tecnologia 5G, e em investimentos em IA, a China disputa o topo. No primeiro campo, as doze maiores cidades nacionais têm acesso ao 5G.

    Xiaomi, e seu mais novo celular: “O futuro pertence à China” (NIU BO/IMAGINECHINA/AFP)


    Para chegarem ao topo, os chineses investiram pesado em educação. Entre 2010 e 2015, injetaram 250 bilhões de dólares ao ano no ensino superior — realizado tanto em universidades locais como pelo envio de alunos a instituições internacionais. No aspecto do empreendedorismo, poucas nações produziram empresas tão revolucionárias quanto bem-sucedidas em um curtíssimo espaço de tempo. Tome-se como exemplo a DiDi, criada por Cheng Wei em 2012. Rapidamente, ela virou uma startup avaliada em 60 bilhões de dólares e começou a ganhar escala graças a um sistema de inteligência artificial que coleta 70 terabytes de dados todos os dias para identificar gargalos no sistema de transporte. O algoritmo desenvolvido pela equipe de Wei é tão ágil e eficiente que provocou um efeito colateral inesperado: fez da Uber uma operação obsoleta na China, a ponto de ser vendida à própria DiDi. E mais: o modelo agora é imitado por concorrentes do mundo inteiro, uma tremenda ironia para um país conhecido, até pouco tempo atrás, por clonar produtos concorrentes.

    CONEXÃO – Campeões do 5G: empresas como a Huawei lideram a tecnologia


    Um dos símbolos desse avanço impressionante é a cidade de Shenzhen, localizada em um dos cinco centros nacionais de produção de inovações criados por Xi Jinping, que formam uma espécie de “Vale do Silício chinês”. Um protótipo que levaria duas semanas para ser desenvolvido na Califórnia costuma ser criado em um dia naquela localidade. Produtos fabricados na área ainda têm custo cerca de 60% menor, em comparação com os americanos. Resultado: em 2016, Shenzhen se consolidou como o maior polo do mercado de smartphones, com produção anual de 1 bilhão de unidades.

    APOSTA – Feira de robótica: uma das áreas que recebem mais investimentos


    Sinais da avançada tecnologia não ficam restritos ao “Vale do Silício chinês”. Chamam a atenção do turista de primeira viagem ao país, por exemplo, o silêncio e a ordem no trânsito de cidades com mais de 20 milhões de habitantes. A calmaria, apesar dos engarrafamentos homéricos, se deve a dois tipos de máquina dominados pelo país. O primeiro é o motor sem combustível: a China tem a maior frota de carros e ônibus elétricos do planeta — 20% de seus veículos não produzem fumaça nem ruído. O segundo é invisível, mas impressionante. Radares identificam, mesmo em meio a avenidas com oito ou dez pistas repletas de automóveis, qual deles está buzinando e emitem uma multa — que chega imediatamente ao smartphone do motorista. Na mesma linha, câmeras em todo o país fazem o reconhecimento facial dos cidadãos, e qualquer derrapada, como atravessar a rua fora da faixa, pode significar uma penalidade automática.

    Locais de grandes aglomerações, como estações de metrô e estádios, servem para que a polícia atualize o cadastro daqueles que as câmeras não identificaram, seja por um novo corte de cabelo, seja pelo uso de óculos. No caso de estrangeiros, o policial fala em mandarim no microfone do celular e a tradução aparece na tela em qualquer língua. Como toda tecnologia a serviço da vigilância, ela também tem seus usos mais, digamos, amigáveis: no aeroporto, os telões de informação sobre os voos reconhecem o passageiro na sua frente e, automaticamente, mostram o portão e o horário de embarque em destaque. “A tecnologia e a qualidade da produção deles dominarão o mundo em um nível que ainda nem podemos imaginar”, afirma Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador da Caoa, parceira no Brasil da Chery, uma das grandes fabricantes chinesas de automóveis.

    Em 2015, o presidente Xi Jinping proclamou o que apelidou de “Made in China 2025”. Trata-se da meta de fazer com que o país deixe de ser conhecido apenas pela mão de obra barata, que fabrica inovações americanas (de iPhones a roupas), ou pelas cópias de produtos estrangeiros, para virar a maior potência de inovação. Com isso, a China quer desenhar uma nova indústria que promete, até 2025, acrescentar 150 bilhões de dólares ao PIB. Em uma extensa lista de tarefas a ser cumpridas, identificaram-se dez setores-chave a ser financiados — entre eles, tecnologia da informação, automação, automóveis elétricos, medicamentos de nível genético e fármacos.

    É essa perspectiva que dá medo até mesmo no presidente americano Donald Trump, que desde o início de seu governo, em 2017, vem alimentando uma intensa guerra comercial com a China. “Um conflito que vai além de uma disputa tarifária”, comenta Marcos Caramuru, ex-embaixador do Brasil na China e hoje sócio de uma consultoria com sede em Xangai. “O que os americanos exigem deles é praticamente uma nova revolução cultural: que passem a se importar com copyright, que diminuam a influência em seus vizinhos, que abram mão do controle cambial. Os chineses nem cogitam tais possibilidades. Essa disputa talvez dure para sempre.”

    Uma das batalhas dessa guerra gira em torno da Huawei, empresa que está à frente do desenvolvimento da tecnologia 5G. Em 2018, os Estados Unidos rejeitaram a entrada da companhia chinesa no país com a justificativa de que a empresa não seria segura para os usuários. No ano passado, Trump assinou um termo que proibia a compra de tecnologias americanas por parte do gigante chinês. Austrália, Alemanha e Canadá têm o mesmo receio. Mas a pressão dos Estados Unidos não é o único problema enfrentado hoje pelo governo de Pequim. A mesma política centralizada que permitiu que projetos revolucionários deslanchassem sofre hoje oposição em Hong Kong, a ilha rebelde. No mesmo dia da comemoração dos setenta anos de comunismo, uma nova onda de protestos pró-democracia foi detonada no território chinês.

    CONTRASTE – Na foto à direita, o típico cenário chinês de quarenta anos atrás; à esquerda, a moderna cidade de Shenzhen
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    A despeito dessa oposição, a China continua firme em seus objetivos, que estão recuperando o DNA da nação que, por milênios, foi um dos impérios mais avançados do mundo. A decadência teve início no século XIV. Em 1368, a dinastia Ming (1368-1644), incomodada com a invasão de europeus na Ásia e com o roubo de inovações de origem chinesa (como a pólvora e o papel), tomou a decisão estratégica de isolar a nação, fechando as fronteiras. A tática, no entanto, seguia na contramão do que faziam os europeus, que começavam a se expandir pelos mares. No século XX, o gigante asiático passou por um novo solavanco com a era revolucionária de Mao Tsé-tung, que instalou os comunistas no poder em 1949. Nesse período, o socialista Mao, parceiro da antiga URSS, jogou o país em uma aguda crise. Tão somente nas décadas de 50 e 60 cerca de 45 milhões de chineses morreram de inanição. Até o início de 1980, a nação era majoritariamente agrária, com uma indústria insignificante. Não só isso, as parcas fábricas que lá existiam estavam desatualizadas: 70% delas operavam de forma quase completamente manual. Após a morte de Mao, assumiu Deng Xiaoping (1904-1997), que durante o período de seu antecessor no poder era um perseguido político. O novo líder herdou uma nação em caos, mas iniciou o processo de recuperação.

    TRADIÇÃO EM CONHECIMENTO –  Gravura do século X: a invenção da pólvora (./.)
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    Sem abandonar o cunho autoritário em relação à própria população, o governante optou por abrir a economia à iniciativa privada. Promoveu a desestatização de terras agrícolas, alocando os espaços para a criação de galpões e cooperativas focadas na fabricação de produtos de baixo valor — e péssima qualidade. Contudo, na metáfora de Xiaoping, tanto fazia qual era a espécie do “gato” (o produto), contanto que pegasse os “ratos”. E o felino chinês caçou muitas presas. “O país se tornou algo como a ‘fábrica global’. Em apenas três décadas, ele implementou as três revoluções industriais que o Ocidente demorou 250 anos para promover. Hoje, está no topo, encabeçando o que se conhece como a quarta dessas revoluções”, afirmou a economista americana Linda Lim, especialista em mercados asiáticos e professora da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

    Qual será o próximo passo ? Para um vislumbre, vale rever a foto que abre esta reportagem, da decolagem de um foguete chinês. Em 14 de agosto último, a companhia privada LinkSpace lançou a primeira nave chinesa com tecnologia que permite que ela seja reutilizada. Até essa data, apenas duas empresas, ambas americanas, haviam dominado tal artifício: a SpaceX, do sul-africano Elon Musk, e a Blue Origin, do americano Jeff Bezos, fundador da Amazon. Em 3 de janeiro, a China também havia se tornado a primeira nação a pousar uma sonda no lado oculto da Lua. A escalada da potência asiática rumo ao topo segue inexorável — no espaço e na Terra.

    https://veja.abril.com.br/economia/como ... -do-mundo/

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    Manufatura da China se expande no ritmo mais rápido em 19 meses: Caixin PMI

    A atividade manufatureira da China expandiu-se no ritmo mais rápido em 19 meses em setembro, impulsionada por maior produção e novos pedidos, mostrou uma pesquisa da Caixin na segunda-feira, sugerindo que a demanda doméstica está apoiando a economia em meio a uma prolongada guerra comercial com os EUA.

    O Índice de Gerentes de Compras Gerais de Manufatura (PMI) da Caixin China, que fornece uma imagem independente das condições operacionais no setor de manufatura, subiu para 51,4, ante 50,4 em agosto , a maior leitura desde fevereiro de 2018. O número 50 marca a linha divisória entre expansão e contração. Quanto maior a leitura acima de 50, mais rápida será a expansão, enquanto quanto abaixo de 50, maior a contração.

    O PMI Caixin fornece um dos primeiros indicadores mensais disponíveis das condições econômicas na China e é acompanhado de perto pelos investidores. O setor manufatureiro representou quase 30% do produto interno bruto da China no primeiro semestre deste ano.

    "O crescimento da demanda de manufatura foi impulsionado principalmente pelo mercado doméstico, já que os conflitos comerciais China-EUA ainda restringiram a demanda no exterior", disse Zhong Zhengsheng, diretor de análise macroeconômica da consultoria CEBM Group, subsidiária do Caixin Insight Group. "Projetos de infraestrutura, melhor implementação da modernização do setor industrial e cortes de impostos e taxas provavelmente compensarão a influência da demanda moderada no exterior e amenizarão a pressão descendente sobre o crescimento econômico da China".

    Pedidos mais altos
    O subíndice de produção no PMI apresentou a maior leitura desde agosto de 2018, com as empresas atribuindo o aumento a maiores volumes de novos pedidos. O crescimento veio em grande parte dos fabricantes de bens de consumo, de acordo com a pesquisa. Novos pedidos expandiram-se no ritmo mais rápido desde março de 2018. Os estoques de mercadorias compradas estavam no nível mais alto desde maio de 2018, com as empresas reabastecendo os estoques em antecipação a pedidos mais altos.

    Os custos dos insumos aumentaram no ritmo mais rápido desde novembro. A diferença entre os dois índices reflete a concorrência acirrada do mercado que está restringindo a capacidade das empresas de melhorar sua lucratividade, disse Zhong.

    Um indicador das expectativas futuras de produção, que mede o quão otimistas ou pessimistas os fabricantes estão em relação às perspectivas para os 12 meses seguintes, avançaram em setembro.

    https://www.caixinglobal.com/2019-09-30 ... 67012.html

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    Celeiro dos smartphones, Vale do Silício chinês desafia o berço da tecnologia nos EUA

    Antiga ilha de pescadores, Shenzhen abriga empresas como Huawei e Tencent e já tem PIB maior que o da Baía de São Francisco


    SHENZHEN, China - Enquanto a indústria de computadores florescia no Vale do Silício, nos EUA, Shenzhen, então uma pequena vila de pescadores no sul da China, abria as portas do país comunista ao capitalismo. Primeira Zona Econômica Especial (ZEE) criada pela China, em 1980, na fronteira com a ex-colônia britânica Hong Kong, a cidade, hoje com 13 milhões de habitantes, virou o núcleo de uma gigantesca região metropolitana que abriga empresas de ponta, como Huawei e Tencent.

    A chamada Greater Bay Area (Área da Grande Baía, GBA na sigla em inglês) já concentra mais riqueza que a californiana Baía de São Francisco e se impõe como um dos principais centros de inovação do mundo.

    A região é o cartão-postal da estratégia agressiva de avanço tecnológico do Partido Comunista que incomoda os EUA e, para analistas, motiva a guerra comercial desencadeada pelo presidente americano, Donald Trump.

    O Produto Interno Bruto (PIB) da GBA — projeto de integração de nove cidades da província de Guangdong — já soma US$ 1,64 trilhão, quase o dobro dos US$ 837 bilhões do Vale do Silício, casa de gigantes americanas da tecnologia, como Apple e Facebook. O centro tecnológico dos EUA ainda vence em PIB per capita, mas a China aperta o passo.

    — Do ponto de vista tecnológico, poucos negam que Shenzhen é um dos centros mais avançados não só na China, mas em todo o mundo — diz Louis Chan, da consultoria HKTDC Research, baseada em Hong Kong, para quem a renda na região cresce rapidamente com a atração de novos negócios. — A considerável população e a possível radiação para o resto da China e da Ásia fazem da GBA uma queridinha para empresas de tecnologia, de start-ups a gigantes.

    Em 1979, antes da abertura comercial, Shenzhen não contava com mais de 50 mil habitantes. Com a criação da ZEE, no ano seguinte, a cidade começou a atrair fábricas rapidamente. Mesmo com turnos de trabalho extenuantes, os salários pagos eram infinitamente superiores ao padrão da época na China, uma nação empobrecida e essencialmente agrária. Para investidores estrangeiros, a mão de obra barata era uma forma de reduzir os custos de produção num mundo que iniciava a integração econômica da globalização.

    ‘Fábrica do mundo’
    Logo o volume de produção tornou Shenzhen conhecida como a “fábrica do mundo”, escolhida por marcas globais para instalar indústrias. Hoje, o passado de produtos de baixa qualidade ficou para trás. Grande parte dos tablets, smartphones, computadores, drones, videogames e outros aparelhos vendidos no Ocidente vem da GBA. Em 2018, o porto de Shenzhen foi o terceiro mais movimentado do mundo, atrás apenas de Xangai e Cingapura.

    A força econômica da GBA se completa com o cinturão de fornecedores instalado em torno das gigantes chinesas de tecnologia. São milhares de empresas que compõem um ambiente único para a inovação. Por isso a região foi apelidada de Vale do Silício chinês.

    Qualquer pessoa, literalmente, pode comprar peças e ferramentas e desenvolver gadgets . O youtuber americano Scotty Allen, por exemplo, ganhou fama mundial ao montar seu próprio iPhone com peças garimpadas no mercado local Huaqiangbei, o maior de eletrônicos do mundo.

    — Todas as peças estão lá. A maior dificuldade foi me comunicar em chinês — diverte-se Allen.

    Andar pelas ruas dessa metrópole chinesa é olhar por uma janela para o futuro da China. Enquanto a Apple lança seu cartão de crédito, por lá muitos estabelecimentos não aceitam mais o plástico. Os pagamentos são todos por celular. Praticamente toda a frota de ônibus e táxis é de veículos elétricos. Motonetas ligeiras de entregadores, também elétricas, cruzam as calçadas.

    — No Vale do Silício tem Google, Facebook, empresas do ramo de internet, mas em Shenzhen o destaque é o hardware — compara Eduardo Glitz, sócio da firma de educação executiva StartSe, que promove missões de executivos brasileiros à China. — Aqui no Brasil, os espaços decoworking para start-ups têm mesas e computadores, lá são laboratórios de tecnologia, para a construção de hardware . É tudo voltado para osmakers .

    O rápido avanço tecnológico não passou despercebido. Para Simão Davi Silber, professor do Departamento de Economia da USP, não é coincidência que duas empresas baseadas em Shenzhen, Huawei e ZTE, tenham se tornado alvos preferenciais da guerra comercial de Washington.

    — A China partiu muito atrás e foi direto para a ponta. Investiu em educação, foi copiando tecnologias do Ocidente, e todo o mundo foi benevolente, aceitou esse modelo. Mas ela se tornou importante demais, hoje é um concorrente de primeira linha que deixa a Europa e o Japão para trás e começa a disputar com os EUA a liderança do mundo no século XXI — analisa Silber.



    Ao longo da História, quem dominou a tecnologia exerceu hegemonia no mundo. Aconteceu com Portugal, com as navegações, e com a Inglaterra, da Revolução Industrial. No pós-guerra, os EUA assumiram a ponta e se tornaram hegemônicos com o fim da Guerra Fria. A vez da China pode estar chegando.

    — Todos os países foram líderes por causa da tecnologia. Os EUA querem atrapalhar a ascensão da China — afirmou o professor da USP. — A tecnologia da vez é o 5G e a China está muito à frente. A próxima guerra não vai ter um foguete disparado, vai vencer quem conseguir paralisar as comunicações do inimigo.

    O desenvolvimento tecnológico da China não se restringe a Shenzhen, é um projeto de país. A nação asiática investiu pesado em educação, principalmente na área de exatas.

    Sem concorrência, as inovações chinesas avançam no imenso mercado doméstico de 800 milhões de internautas. O paradoxo é que a interferência do Estado não inibe empreendedorismo e inovação.

    — Existe um discurso de que a democracia é o melhor ambiente para inovação tecnológica. Será ? — questiona Oliver Stuenkel, coordenador do programa de pós-graduação da Escola de Relações Internacionais da FGV-SP. — Na China não existem restrições, por exemplo, à privacidade, como acontece no mundo ocidental. O espaço para inovação sem restrições é maior.

    https://oglobo.globo.com/economia/celei ... a-23999105

     Lakitus
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    Como a poluidora China criou a maior frota de carros elétricos do mundo

    Carregadores para todos: carro elétrico não é exótico na China
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    Por décadas acusada de ser um poluidor impiedoso, a China é, hoje o país que mais produz energias renováveis e a nação que lidera a substituição das frotas de carros movidos a gasolina e diesel por veículos elétricos.

    A maior fabricante mundial de veículos movidos a esta energia, por exemplo, é a chinesa BYD, responsável por realizar a utopia perseguida por muitas metrópoles no mundo, a de substituir toda a frota de ônibus urbanos e táxis movidos a combustíveis fósseis por veículos elétricos. Em algumas paradas de ônibus, o piso sobre o qual estaciona o coletivo é capaz de recarregar a bateria do veículo, em um engenhoso processo que permite uma espécie de "recarga on the road".

    Há uma década, quando o céu de Pequim era escuro como noite, a venda de veículos do tipo ocorria graças a generosos subsídios. Hoje, no entanto, o processo é inverso. Não há vantagens fiscais na fabricação dos carros elétricos, mas emplacar um veículo a gasolina está ficando progressivamente mais caro nas cidades chinesas, o que, na prática, empurra muitos consumidores para a matriz limpa.

    Nesta semana, a Xpeng Motors, outro player chinês de carros elétricos, anunciou investimentos na TELD, maior empresa local de estação de recargas. O investimento permitirá levar a mais 30 cidades pontos públicos de acesso aos "superchargers", equipamentos capazes de dar carga de 80% em um automóvel (o suficiente para eles rodarem por 200 quilômetros) em apenas 50 minutos. É o tempo de almoçar, por exemplo.

    A expansão das estações públicas de recarregamento, que são opções às recargas noturnas que os proprietários de carros elétricos realizam em suas casas, contribuem para maior adoção deste tipo de veículo. Em muitas cidades chinesas, o maior investimento para ter um carro não é a compra do veículo em si, mas a aquisição de uma licença para emplacá-lo.

    A lógica local é tributar o uso e propriedade dos carros, incentivando a população a usar alternativas públicas de transporte. Exceção é feita aos carros elétricos, como os BYD, Xpeng ou os estilosos NIO, espécie de versão chinesa da Tesla.

    Luxuosos e descolados: os Nio só se movem com energia elétrica


    De acordo com a Aliança Chinesa para a Promoção de Veículos movidos a energias renováveis, os investimentos das empresas privadas acima já tornam, com larga vantagem, a China o país com maior infraestrutura para carros elétricos, bem à frente do segundo e terceiro colocados, Estados Unidos e Japão.

    Não à toa, soluções de compartilhamento de soluções de transporte, lideradas pela Didi, que no Brasil controla a 99, são super populares no país, como bike sharing, eletric-bike sharing ou o clássico carro compartilhado por aplicativo. Recentemente, as grandes cidades chinesas como Pequim, Xangai e Shenzhen, vivem um bom também de compartilhamento de automóveis, graças a sérviços como o GoFun, um app que permite desbloquear um carro estacionado na rua e usá-lo como usamos uma patinete ou uma bicicleta. Paga-se por hora.



    A solução busca atender aqueles usuários que se viram bem com metrô e ônibus no dia a dia, mas, às vezes, querem usar o carro por uma hora, para ir fazer compras no supermercado, levar o cachorro ao petshop ou mesmo ter autonomia de visitar um parente que vive em alguma localidade remota. Os carros compartilhados, claro, são também elétricos.

    Para além da inegável emergência em reduzir as emissões de dióxido de carbono, o esforço chinês tem um objetivo também perseguido pelas potências ocidentais: diminuir sua dependência da importação de petróleo.

    Coletivos da BYD em Shenzhen: emissão de carbono zero
    https://copyfromchina.blogosfera.uol.co ... -do-mundo/

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    Visão Global | Uma China mais independente

    Um estudo mostra que a China vem reduzindo a dependência do exterior em várias frentes e está se voltando mais para o mercado doméstico

    A China é um caso singular de um país que se integrou à economia mundial do final da década de 70 em diante. Nos últimos anos, no entanto, o vínculo com os demais países passou a caminhar na direção contrária. A China vem reduzindo a dependência do exterior em várias frentes e está se voltando mais para o mercado doméstico. É o que mostra um estudo recente da consultoria de estratégia McKinsey.

    Para chegar a essa conclusão, a McKinsey avaliou o fluxo entre a China e o mundo em três áreas: comércio, capital e tecnologia. Combinando os dados, a consultoria desenvolveu um índice de exposição da China ao mundo, em que o valor 1 indica a média de exposição dos países do G7 à China.

    https://abrilexame.files.wordpress.com/ ... obal-2.png

    O resultado mostra que, enquanto os chineses diminuíram a relação com o exterior, a exposição do mundo à China continuou subindo. O problema é que a redução do engajamento chinês pode ter um impacto econômico significativo. Nas contas da McKinsey, a economia global deixará de ganhar de 22 trilhões a 37 trilhões de dólares em 2040 caso a tendência continue.

    https://exame.abril.com.br/revista-exam ... ependente/

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    China absorve o conceito de propriedade intelectual

    Com o crescimento da inventividade dos empresários chineses, avançou também nos últimos anos, na velocidade de um foguete, a capacidade para proteger as próprias ideias

    A propriedade intelectual é uma das principais frentes da guerra comercial do presidente Donald Trump contra a China. Também está no cerne de uma acusação americana contra a Huawei, a gigante chinesa de tecnologia. Em ambos os casos, o governo procura dar a impressão de que roubar do Ocidente faz parte do modus operandi das empresas chinesas, algo que um colunista do Wall Street Journal descreveu na semana passada como uma prática que eles encaram como um “dever patriótico”.

    Mas essa é uma forma preguiçosa de pensamento. O Estado chinês pode incentivar o flerte às ideias, e empresas estrangeiras na China sem dúvida enfrentam pressão para entregar seus segredos. No entanto, a proteção à propriedade intelectual na China, apesar de todas as suas falhas, melhorou na velocidade de um foguete nos últimos tempos. À medida que as empresas chinesas emitem mais patentes, mais interessadas estão em protegê-las.

    A ladainha de reclamações sobre pirataria na China, com certeza, remonta a décadas: violação de direitos autorais no caso de software e violação de marca registrada a empresas como a Disney. Michael Jordan, uma lenda do basquete, passou anos tentando impedir uma empresa de roupas esportivas de usar seu nome, Qiaodan em chinês, até ser parcialmente bem-sucedido em 2016. Atualmente, marcas locais da Peppa Pig, personagem de desenho animado, estão sendo procuradas por dezenas de “invasores” de patentes.

    A China está distante de cumprir os compromissos assumidos ao ingressar na Organização Mundial do Comércio em 2001. O país ainda obriga joint ventures com empresas estatais a cederem a propriedade intelectual. No entanto, essa mentalidade começa a mudar.

    De origem humilde, a China foi responsável por 44% dos pedidos de patentes do mundo em 2017, duas vezes mais do que os EUA, segundo a Organização Mundial da Propriedade Intelectual. Empresas, principalmente as chinesas, abrem processo umas contra as outras por patentes na China mais do que em qualquer outro país.

    Quanto mais inventiva for, mais a proteção beneficia a China. A Huawei foi a empresa que fez mais registros de patentes internacionais no mundo em 2017; quaisquer que sejam as dúvidas sobre sua lealdade ao Estado chinês, é difícil duvidar de seu compromisso com a inovação. Um executivo da Alibaba observa que, à medida que as empresas chinesas se expandem globalmente, particularmente no Sudeste Asiático, elas também sofrem com o roubo de suas ideias, tornando-se cada vez mais capacitadas a protegê-las.

    A imitação como lisonja. Também vale a pena lembrar o quanto de força cultural o sistema de propriedade intelectual anglo-saxão representa para a China. O país que inventou a prensa não tinha um conceito ocidental de copyright. Existe até um ditado chinês segundo o qual “roubar um livro é uma ofensa elegante”.

    Quando as invenções estavam florescendo na América do século 19, o Ocidente tentou impor códigos de propriedade intelectual a uma China humilhada que não conseguia enquadrar suas tradições confucionistas. No entanto, não se poderia dizer que os EUA fossem santos.

    Como aponta Cole, do Hagley Museum, seu escritório de patentes cobrava nos primeiros dias mais pelas patentes de estrangeiros do que pelas de americanos, especialmente os britânicos, com os quais os Estados Unidos estavam engajados em uma versão inicial da “competição estratégica”.

    https://economia.estadao.com.br/noticia ... 0002714844

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    China registra metade das patentes globais, e EUA perdem força em inovação

    A China registrou quase a metade das novas solicitações globais de patentes em 2018, enquanto os Estados Unidos ocuparam o segundo lugar, mas diminuíram o ritmo de crescimento neste indicador em relação ao ano anterior, segundo a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Dos 3,3 milhões de pedidos de patentes registrados no mundo no ano passado, 1,54 milhão foram feitos na China. Os EUA aparecem em segundo, com 597.141, seguidos por Japão (313.567), Coreia do Sul (209.992) e União Europeia (174.397).

    Em nível global, a apresentação de solicitações aumentou 5,3%, o que foi destacado pela OMPI por superar o aumento do PIB mundial em 2018 (em torno de 3%). Na China, o ritmo de aumento foi ainda maior (11,6%). Nos Estados Unidos, as novas solicitações diminuíram 1,6% em relação a 2017, uma porcentagem similar à queda nos pedidos de patentes por parte do Japão, de 1,5%. Alemanha (67.898), Índia (50.055), Rússia (37.957), Canadá (36.161) e Austrália (29.957) também aparecem no 'top 10' de registro de patentes.

    O diretor-geral da OMPI, Francis Gurry, ressaltou a crescente liderança em inovação da Ásia, que arrebatou dois terços das patentes totais em 2018. "A Ásia segue na frente das demais regiões no que diz respeito à apresentação de solicitações de patentes, marcas, desenhos industriais e outros direitos de propriedade intelectual, que estão na base da economia mundial", afirmou .

    O relatório da OMPI também compilou o número de solicitações de marca registrada, focadas mais em novos produtos comerciais do que em invenções. Neste caso, o crescimento em escala global foi ainda maior, de 15,5%, para um total de 14,3 milhões em 2018. Mais uma vez a China ficou com metade das tramitações (7,36 milhões), seguida de longe por Estados Unidos (640.181), Japão (512.156), União Europeia (392.925) e Irã (384.338). Os maiores aumentos entre 2017 e 2018 neste campo foram de Indonésia (alta de 29,1%), China (28,3%), Índia (20,9%), Coreia do Sul (14,5%) e Reino Unido (12,4%).

    Um terceiro indicador estudado foi o número de registros de desenho industrial, que ultrapassou 1,3 milhão em todo o mundo e teve um aumento de 5,7%. Assim como em relação aos casos anteriores, a China ficou disparada na frente, com 54% das tramitações (708.799), seguida por União Europeia (108.174), Coreia do Sul (68.054), Estados Unidos (47.137) e Alemanha (44.460). EFE

    https://economia.uol.com.br/noticias/ef ... ovacao.htm

    Editado pela última vez por Bom Caráter em 19/10/2019, 11:08, em um total de 2 vezes.

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    Huawei anuncia novas antenas 5G antes de acelerar atualizações de rede na China

    A Huawei lançou nesta quarta-feira uma nova geração de antenas para telefonia móvel 5G, antecipando uma aceleração no ritmo de atualizações de rede das operadoras da China. A Huawei foi pioneira no desenvolvimento das chamadas antenas Massive MIMO - ou múltiplas entradas e saídas - que apresentam múltiplos conjuntos de transmissores e receptores para atenderem vários serviços móveis de quinta geração.

    As antenas podem atingir velocidades de dados ultrarrápidas rastreando diretamente usuários de smartphones próximos, ao contrário de antenas 'passivas' anteriores que se comunicam de maneira mais geral - e menos eficiente - com seu ambiente. A terceira geração de antenas Massive MIMO da Huawei, apresentada em um evento em Zurique, duplicou a largura de banda para 400 Megahertz e aumentou a potência de saída para 320 Watts, possibilitando expandir a cobertura nas frequências de banda média que muitos países destinaram para serviços 5G.

    Elas também pesarão menos e usarão menos energia do que as gerações anteriores, disse o chefe de negócios sem fio da Huawei, Edward Deng, em uma apresentação. "Ela eliminará as barreiras à implantação global em todos os cenários e se tornará um novo padrão para impulsionar a implantação de redes 5G em larga escala", disse Deng. As antenas contêm chips de 7 nanômetros - colocando-os na vanguarda da tecnologia de semicondutores.

    A Huawei está incorporando as novas antenas 5G em sua estação rádio-base Blade AAU, um pacote que economiza espaço e inclui uma antena passiva. Isso permitirá que as operadoras economizem espaço e executem todas as suas redes em uma única instalação. A fabricante chinesa realizará duas rodadas de licitações para alugar estações base às operadoras chinesas, sendo a primeira ainda este ano, para ajudá-las a gerenciar o enorme desafio logístico e financeiro de conectar o mercado de 1,4 bilhão de pessoas.

    "Estamos tentando facilitar a vida das operadoras chinesas no processo de transição para o 5G", disse Deng a jornalistas.

    https://www.terra.com.br/noticias/tecno ... x9c4h.html

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    Carro chinês elétrico oferece mais de 30 dias de autonomia

    Quando se fala em carros elétricos um dos pontos menos positivos é a autonomia. É verdade que tem havido alguns avanços nesta área, especialmente com recurso a painéis solares.

    A empresa chinesa Hanergy diz ter a solução para um carro elétrico oferecer autonomia para 30 dias com uma única carga.

    Basta apenas um carregamento para ter um carro com autonomia para 30 dias! Parece ser mentira, mas é mesmo realidade. A “inovação” chega-nos da empresa chinesa Hanergy que tem como mercado painéis solares de alta eficiência.

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    Segundo o que foi revelado pela própria empresa, tal será possível se o carro apenas percorrer 20 kms por dia. A empresa chinesa considera suficiente (em média) para quem se desloca da casa para o trabalho.

    Carro elétrico reteve 60% da bateria ao fim de 30 dias de testes

    Após testarem os painéis no tejadilho do carro elétrico, os resultados foram simplesmente fantásticos. De acordo com os dados, o carro precisava entre cinco a seis horas para que os painéis conseguissem restabelecer a autonomia. De referir também que, durante os testes, a bateria do carro durou os 30 dias (referidos). Em média, o carro ficava com 60% a 80% de carga entre cada teste realizado (podendo realizar obviamente mais km).

    "During the 30-day test drive, each day after a 20 km testing drive, the battery still had a 60-80 percent power left, which means the car can still run a further 30 km to 80 km, making the solar car’s daily range reach to 50 km to 100 km, enough for daily commuters

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    A empresa revelou também que o sucesso se deve a painéis solares especiais. Segundo a empresa asiática, os painéis fotovoltaicos são compostos por uma película extrafina de arsenieto de gálio. O arsenieto de gálio é composto químico sintético, de fórmula mínima GaAs. É um material semicondutor de interesse da indústria eletrônica / informática, muito utilizado na construção de circuitos integrados.

    https://pplware.sapo.pt/motores/carro-c ... autonomia/
    Editado pela última vez por Bom Caráter em 22/01/2020, 11:10, em um total de 1 vez.

     Bom Caráter
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    A nova era da revolução energética para a mobilidade

    Se os veículos elétricos atingirem uma fatia de 30% do mercado global automotivo, serão necessários entre 14 milhões e 30 milhões de pontos de recarga



    O mundo se vira para uma nova realidade em termos de mobilidade. Ela é silenciosa, limpa, prática e econômica. Os veículos elétricos chegaram para ficar. Em países desenvolvidos, já são uma realidade: a China é a maior consumidora, seguida pela Europa e pelos Estados Unidos, de acordo com a Advanced Innovative Engineering (AIE). No Brasil, esse transporte ainda engatinha e busca mercado para se consolidar.

    Segundo dados da BNEF, braço de pesquisa em energia da Bloomberg, a frota elétrica global atingiu 5 milhões de veículos em 2018 e é atendida por pouco mais de 600 mil pontos de recarga no mundo. Estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla inglês), que atua como orientadora política energéticas para seus 29 países membros, projetam que se os veículos elétricos atingirem uma fatia de 30% do mercado global automotivo em 2030, serão necessários entre 14 milhões e 30 milhões de pontos de recarga no mundo para atender esses consumidores de forma regular.

    Para a rede funcionar, ela precisará ser bem distribuída, diferente do que acontece hoje. Cerca de metade dos 600 mil pontos de recarga atuais estão na China. Há lugares, como o Reino Unido, onde há infraestrutura, mas os carros elétricos são relativamente escassos, apesar dos incentivos para carros e ônibus elétricos. Mesmo na Califórnia, onde foi sancionada uma lei que obrigará novos ônibus a serem elétricos a partir de 2029, e toda a frota em 2040, a questão do carregamento de veículos elétricos não é simples.

    Na Suécia — nono maior mercado de carros elétricos do mundo — , devido à demanda e à dificuldade de encontrar um lugar para carregar os automóveis, a rede McDonald’s decidiu transformar 55 lanchonetes em pontos de abastecimento para veículos elétricos. O slogan da campanha foi intitulado como McCharge.

    A padronização na infraestrutura de recarga também é um problema: plugues que não encaixam nos carros de diferentes marcas, adaptadores pouco funcionais, preços altos, etc. A realidade é que 80% dos proprietários de veículos elétricos fazem a recarga em casa ou no local de trabalho. No geral, a falta de pontos de recarga é um dos principais entraves para a popularização dos veículos elétricos no Brasil e no mundo.

    O Brasil, segundo dados do site Plugshare, tem cerca de 400 estações de recarga espalhadas pelas grandes cidades, e elas não conseguem dar conta da frota de aproximadamente 3 mil veículos elétricos e híbridos emplacados. As estações que existem são iniciativas pontuais de pessoas, empresas ou do próprio governo, e não estão interligadas como uma rede. Na prática, o proprietário de veículo elétrico tem que planejar e prever o seu deslocamento do próximo dia, e mapear os possíveis pontos de carregamento.

    O BMW Group Brasil vai instalar até o fim do ano 40 novas estações de recarga no Brasil. Atualmente são 110 pontos, seja postos próprios da BMW, seja parcerias como com a Ipiranga e Grupo Pão de Açúcar.

    Em parceria com a EDP Brasil, a BMW criou o primeiro corredor de abastecimento de veículos elétricos entre Rio de Janeiro e São Paulo. Seis estações de recarga ao longo da rodovia Presidente Dutra tornaram possível realizar uma viagem completa em carro elétrico entre as duas cidades.

    Uma parceria da Cabify com a EDP levou à instalação de uma estação de recarga gratuita de elétricos no Cabify Home, em São Paulo, espaço destinado à assistência e ao descanso dos motoristas do aplicativo. O ponto é aberto a qualquer pessoa com automóvel elétrico.

    A Zletric, uma startup de Porto Alegre (RS) lançou recentemente o conceito inédito de redes de carregamento. A empresa pretende estar presente no maior número de lugares possíveis para proporcionar aos usuários do transporte elétrico maior mobilidade, menor custo e liberdade para transitar. A iniciativa busca gerar a experiência de fazer o deslocamento como se faz com o carro movido a gasolina, sem a preocupação de planejar uma recarga, já que o usuário poderá usufruir de uma rede interligada, disponível e próxima.

    As primeiras 50 estações de recarga já foram instaladas na capital gaúcha e em Florianópolis (SC), além de cidades-chave da região metropolitana dos dois estados. Ainda em 2019, será ampliada a malha no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Em 2020, a expectativa é que sejam instaladas mais 400 estações, crescendo para outros estados do país.

    Para desenvolver esta rede, foi usada tecnologia 100% brasileira. A conectividade nas estações se dá por meio de uma rede de dados sem fio, como a usada no conceito internet das coisas, chamada de Zletric Link, tecnologia inédita no sistema de recarga de carros elétricos. Ela permite gerenciamento remoto, identificação de clientes e consumos, criação de relatórios, além de conciliar a energia consumida. Todas as estações são gerenciadas pela Zletric Energy Cloud, plataforma em nuvem que faz, desde a apuração das recargas dos clientes até a gestão da energia junto à concessionária.

    Pelo visto, estamos a caminho de uma revolução energética que vai gerar uma mobilidade tecnológica, eficiente e limpa. Já é tendência global, e torceremos que esta onda cresça por aqui também!

    https://epocanegocios.globo.com/colunas ... idade.html

     Bom Caráter
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    Não tripulado! Robôs "trabalhadores do saneamento" revelados em Changsha, China

     Bom Caráter
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    Em visita de Bolsonaro, China mira recursos naturais e multilateralismo

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    A imprensa da China tem acompanhado a viagem do presidente Jair Bolsonaro ao país. Os sites da mídia chinesa em inglês publicaram nos últimos dias reportagens e análises sobre a visita oficial e reforçaram a importância do estreitamento de relações entre os dois países. Em um artigo de opinião publicado pelo site China.org fica evidente que os interesses centrais do governo chinês nessa relação são os recursos naturais do Brasil e a busca pelo fortalecimento de relações exteriores baseadas no multilateralismo – objetivos não exatamente alinhados com o que o presidente tem defendido para a política externa do país.

    "É importante ressaltar que o desenvolvimento das relações econômicas e comerciais China-Brasil deve continuar a se basear em suas próprias vantagens comparativas. No caso da China, é mão de obra abundante, forte capacidade industrial e grande potencial de mercado, enquanto o Brasil é rico em recursos naturais", diz o texto assinado pelo colunista Jiang Shixue. "Essas vantagens comparativas constituem complementaridade distinta. Na era da globalização, essa complementaridade fortalece as bases das relações econômicas e comerciais bilaterais", complementa.

    O China.org é um portal ligado ao Departamento de informações do governo chinês, e publica textos sobre a posição oficial do Partido Comunista.

    O artigo argumenta que este é um de três pontos fundamentais das relações entre os dois países. Além da oferta de recursos naturais, o texto diz que o Brasil e a China precisam se juntar contra o unilateralismo – uma referência indireta aos Estados Unidos. A posição vai contra a guinada promovida pelo Itamaraty desde o início do governo de Bolsonaro visando um maior alinhamento do Brasil aos EUA e que chegou a dizer que a China queria comprar o Brasil. Ela também apoia um maior multilateralismo, que é diferente do que a política externa brasileira de Bolsonaro tem defendido.

    "China e Brasil precisam dar as mãos para resistir ao hegemonismo, ao bullying, ao unilateralismo e ao protecionismo. Tudo isso causou grandes danos às leis e regras internacionais, ao sistema internacional e à ordem internacional, atrapalharam o ritmo da globalização e prejudicaram as relações Norte-Sul e as relações Sul-Sul. Tanto a China quanto o Brasil são vítimas. Portanto, eles precisam falar a uma só voz em várias ocasiões multilaterais para promover o multilateralismo e o livre comércio", defende.

    Por último, diz que é necessário promover o entendimento mútuo entre os dois países por meio de turismo, incentivo ao ensino de idiomas e trocas culturais.

    https://brasilianismo.blogosfera.uol.co ... teralismo/

     PQD_Nascimento
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    Bolsonaro assinou diversos acordos comerciais com a China.
    Grande dia! :emocao:

     Bom Caráter
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    China e a tecnologia 5G: a nova revolução nas telecomunicações

    Conectividade 5G promete provocar uma revolução nos modelos de negócios e nas cadeias de valor a nível internacional

    A China vem promovendo uma série de investimentos em ciência e inovação. Dentro deste escopo mais amplo, encontra-se a tecnologia de telecomunicações 5G, aspecto no qual a Ásia está despontando como líder no cenário global. Espera-se que a conectividade 5G provoque uma revolução nos modelos de negócios e nas cadeias de valor a nível internacional.

    Para que possamos dimensionar o potencial aportado pelas novas tecnologias, cabe mencionar as transformações ocorridas nas gerações anteriores da comunicação sem fio. A primeira geração permitiu a realização de ligações telefônicas sem fio. A segunda geração permitia além disto, o envio de mensagens SMS. A terceira geração permitiu o acesso à sites da internet, ainda que com pouca velocidade e dinamismo, se comparada aos padrões atuais. Já a tecnologia 4G permitiu o acesso e a transmissão de vídeos ao vivo, além de ter possibilitado o surgimento de novos modelos de negócios através do Sistema de Posicionamento Global (GPS, na sigla em inglês), tais como o UBER e o Airbnb.

    Por sua vez, o 5G não conecta apenas smartphones, mas qualquer objeto que possua um chip. Neste ponto, podemos pensar na internet of things (IOT), ou seja, a aplicação de internet à objetos da vida cotidiana. Podemos igualmente pensar em carros inteligentes e/ou smart cities. Essencialmente, a 5G possibilitará que quase qualquer objeto da vida cotidiana colete e transmita dados, com uma velocidade estimada a ser 100 vezes superior à proporcionada pelo 4G.

    Neste sentido, fazendo uma comparação com a economia tradicional, o veículo de mídia The Economist afirma que o acesso, controle e o uso de dados são comparáveis à detenção de petróleo no que diz respeito ao seu potencial para acumulação de capital na economia digital, setor que se propaga para o futuro: “Data is the new oil” (os dados são o novo petróleo).

    O estudo prospectivo realizado pela empresa de consultoria Ernst Young estima que a China deverá possuir 40% do total global de usuários conectados ao 5G até 2025. A atual tensão comercial entre China e Estados Unidos tem como pano de fundo a disputa geopolítica pelo desenvolvimento e controle de tecnologias que vão originar a nova geração de empresas que dominarão os mercados mundiais em diversos segmentos. No cerne deste debate se encontra a capacidade da China no desenvolvimento 5G.

    No caso da tecnologia 5G, a Huawei é a empresa que está capitaneando este processo. Em dezembro de 2018, os Estados Unidos (EUA) ordenaram a prisão da diretora financeira da companhia, Meng Wanzhou, por supostas violações à propriedade intelectual. Desde então, a Austrália e a Nova Zelândia se uniram aos EUA banindo a Huawei de suas atividades nesses países.

    Ainda não existem informações suficientes para que se possa analisar conclusivamente estes casos, dado o período recente de sua ocorrência. No entanto, especialistas afirmam que é necessário levar em consideração a dimensão geopolítica envolvida no controle e produção de novas tecnologias, que está ligada às disputas com a Huawei. A empresa é especialmente qualificada para a produção da infraestrutura necessária para a expansão da nova tecnologia e os Estados Unidos têm receio de ficar dependentes de fornecedores chineses. Além disso, a China está bem posicionada para angariar as vantagens inerentes à posição.

    Se os fatos geopolíticos continuarem ditando as regras no campo do desenvolvimento 5G, existe o risco de que se produzam dois ecossistemas separados: o primeiro deles centrado nos Estados Unidos, se espraiando para os seus principais aliados transatlânticos; e outro centrado na China e se espraiando pelo espaço eurasiático, pela África e, possivelmente, pela América Latina.

    Neste cenário existe a maior probabilidade de aproximação dos países em desenvolvimento em relação à China, devido às suas vantagens de custo e à estratégia chinesa de prover financiamento para projetos de infraestrutura ao redor do mundo.



    https://jornalggn.com.br/economia/china ... ardo-kotz/

     Morador do Quarto
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    PQD_Nascimento escreveu: Bolsonaro assinou diversos acordos comerciais com a China.
    Grande dia! :emocao:
    Agora podemos ajudar o povo chinês na sustentação da Coreia do norte, grande dia :lol:

     Bom Caráter
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    Entramos na Tencent, a maior empresa de internet da China

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    Selfie com o pinguim: por dentro da maior empresa digital chinesa

    Líder chinesa em redes sociais, computação em nuvem, streaming de música e games online, maior empresa digital (em valor de mercado) da China, além de presente nas primeiras posições em áreas como meio de pagamento digital, buscas na web e e-commerce. À parte de tudo isso, uma referência mundial no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial para robótica, varejo e saúde.

    O parágrafo acima poderia ser a "mini bio" da Tencent, empresa com sede em Shenzhen fundada em 1998 pelo ex-estagiário da telecom China Motion, Ma Huateng, que trocou o salário mensal de US$ 176 pelo sonho de construir um império online em seu país. Em uma definição simplista, poderíamos explicar a Tencent como uma mistura de Google, Facebook, Spotify e Amazon, já que a empresa opera, com sucesso, nas mesmas esferas que estes gigantes ocidentais.

    No final de setembro, visitei a sede deste conglomerado chinês, acompanhado por Yoyo You, gerente de relações governamentais da empresa que tem suas ações listadas na bolsa de Hong Kong deste 2004. Em fevereiro do ano passado, a companhia atingiu seu pico de valorização, somando US$ 525 bilhões em valor de mercado. Naquele momento, a Tencent foi a terceira maior empresa digital do mundo, atrás apenas do Google (Alphabet) e da Amazon.

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    Todos os meses 1,13 bilhão de usuários acessam suas contas no We Chat

    WeChat, uma solução onipresente
    Entre todos os produtos da empresa, o mais conhecido deles é o app WeChat, chamado de WeiXin pelos chineses, uma espécie de rede social (possui feed, chamado de "Momentos) e serviço de mensagem instantânea, como o WhatsApp. O WeChat é também, ao lado do Alipay, do grupo Alibaba, o maior sistema de pagamentos digitais do país que aboliu o dinheiro de papel.

    Na China 1,15 bilhão de pessoas possuem acesso regular à internet. Desse montante, 95% usam a carteira digital da Tencent, o WeChat Pay. Segundo Jio, todos os dias 1 bilhão de transações financeiras são feitas no país dentro da plataforma, o que a torna um dos maiores bancos de compensação do mundo.

    A onipresença deste meio de pagamento tornou-o viável para saldar viagens de metrô, compras na feira de rua ou mesmo fazer transferências de alto valor entre empresas. Métodos tradicionais de diversão (e relaxamento na competitiva sociedade chinesa) como cantar em um karaokê (chamados de KTV) também ganharam versão tech com a ascensão do WeChat. Cabines em shoppings, estações de trem e até em centros empresariais (!!!) permitem aos chineses que se desbloqueie uma porta privativa e aliviem a tensão cantando em alto e bom som em caixas que não deixam seus agudos vazarem para o ambiente externo.

    Definido por especialistas como "modelo de negócios invertido", o método aplicado ao WeChat foi o de criação de uma comunidade social que não fosse monetizada via publicidade (como faz o Facebook), mas que pudesse ser útil e concentrar o maior tráfego possível. A partir do elevado tráfego, o WeChat passou a promover uma miríade de serviços, estes sim muito lucrativos, como mobile games, pagamentos móveis e comércio de bens e serviços.

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    Maquete mostra montanha recortada: túneis sob a montanha guardam dados

    Uma nuvem embaixo da montanha
    Assim como aconteceu com a Amazon, nos Estados Unidos, e com o Alibaba, na China, a construção de uma grande infraestrutura computacional permitiu o surgimento, no caso da Tencent, de uma divisão em nuvem, que atualmente é a líder na China, à frente do arquirrival Alibaba. A importância do serviço de nuvem da Tencent é tamanha que, em seu maior data center, na região de Gui´an Qixing, sul da China, a companhia escavou uma montanha inteira para criar debaixo da terra uma infraestrutura indestrutível de nuvem.

    A região é considerada uma das poucas áreas do território chinês a salvo de terremotos e os data centers subterrâneos sugerem mais que sofisticação tecnológica da companhia, mas algum tipo de colaboração com os planos de segurança nacional do governo chinês. Entre os serviços que consomem grande tráfego de dados da Tencent estão suas empresas de games e as plataformas de social streaming de jogos online, uma febre (e uma máquina de fazer dinheiro) no país.

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    Catracas do metrô liberadas por mobile payment: com We Chat, as portas se abrem

    Se a presença da Tencent é dominante em áreas consolidadas como nuvem e redes sociais, a companhia mantém divisões focadas (e com investimentos que chegam as 12% do faturamento bruto da empresa) na criação de produtos futuristas, a serviço de seu laboratório de inteligência artificial, braço mais relevante de inovação da empresa.

    Entre os produtos em teste criados pelo laboratório da Tencent estão uma versão proprietária de carro autônomo, soluções inteligentes para varejo (como lojas automatizadas) e uma linha inteira de AI para aplicações médicas, como algoritmos que leem exames e geram relatórios, reduzindo os custos (e os erros) cometidos por médicos humanos.

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    Carro autônomo da Tencent: um futuro sem motoristas e sem acidentes

    https://copyfromchina.blogosfera.uol.co ... -da-china/

     Bom Caráter
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    Sem gente, sem chaves: me hospedei no hotel inteligente do Alibaba

    Um hotel na cidade de Hangzhou sem funcionários, sem balcão de check-in, sem chaves ou mesmo interruptores de luz.

    Há três semanas, quando visitei a cidade sede do grupo Alibaba, hospedei-me por uma noite no hotel-modelo da empresa. A reserva do quarto pode ser feita pelo onipresente superapp Alipay ou, alternativamente, pelo Booking.com, se você não for chinês.


    Você manda e ela obedece: luzes, TV e até comida por comando de voz

    Quando foi inaugurado, em janeiro deste ano, o hotel fazia checkin via um robô não-humanoide, posicionado no hall de entrada. Cris Zhang, gerente do Fly Zoo, me explicou que o robô virou uma celebridade em Hangzhou e o assédio dos turistas prejudicou seu trabalho, o que levou o hotel a substituí-lo por totens de auto-atendimento.

    Neste equipamentos, você digitaliza sua identidade (ou passaporte, se for estrangeiro) e pronto. O check-in está feito. Uma mensagem de texto é enviada para seu celular, com o número de seu quarto. E só. Nada de chaves ou cartões magnéticos. Meu quarto ficava no nono andar e o elevador reconhece seu rosto e te leva direto para seu andar.

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    Ginástica com AI: professores remotos e até avatar dá aulas

    Nos corredores, o visual é high-tech e vending machines oferecem lanches, sucos, iogurtes, refrigerantes e cervejas. O método de pagamento é smile to pay. Uma câmera na máquina de vender reconhece seu rosto e, se você sorrir, debita o valor de sua carteira no Alipay, liberando a venda do produto solicitado.

    Ao achar meu quarto, bastou olhar para a porta. E ela se abriu. O sistema é preciso e, em inúmeros testes, não errou uma única vez, bem como me impediu nas tentativas que fiz de invadir quartos alheios.

    O uso do rosto como senha biométrica permite controlar o acesso dos hóspedes por toda a propriedade. No refeitório, por exemplo, uma câmera é capaz de reconhecer se selecionei a diária com ou sem café da manhã. Como, no meu caso, o café estava incluso, foi olhar para um totem e ouvir "Huānyíng nǐ", literalmente, "bem-vindo".

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    Elevador reconhece seu rosto e não te deixa ir ao piso de terceiros

    O mesmo vale para acessar a academia de ginástica do hotel. É olhar para a porta e ela se abre. Dentro da área comum, esteiras e equipamentos de musculação se pareiam por NFC com seu celular, registrando seu treino. O item mais inovador, no entanto, é uma pista de aula de ginástica com projeção no solo. É uma espécie de Just Dance, mas sem aquela maluquice se projetar mil movimentos para fazê-lo errar a maior parte. São projeções em velocidade adequada para ensinar o aluno a alongar e exercitar-se de forma correta. O professor pode dar a aula presencialmente (caso do meu treino), remotamente (projetado em um telão) ou virtualmente. Neste caso, um avatar digital pode ensinar os alunos a fazer movimentos de pilates ou uma aula de dança.



    A maior parte da diversão – se você souber um pouco de chinês – no entanto, está dentro do quarto. Praticamente todas as atividades triviais como ligar a TV, a iluminação, abrir e fechar as cortinas e tocar música podem ser feitas por comandos de voz. Um pequeno assistente virtual acessado pela palavra-chave "Tian Mall JinLi" pode fazer as tarefas solicitadas, se ouvir a orientação certa como "kai dianshi", que significa "ligar TV' ou "guan deng", apagar a luz.

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    Tomando uns bons drinks: braço mecânico manipula copos e garrafas

    Se você pedir, por exemplo, ao Tian Mao um pouco de água, um sanduíche ou mesmo toalhas limpas, ele solicitará ao serviço de quarto que o envie para você. Neste caso, um robô virá até seu quarto e, ao se aproximar de sua porta, um sensor fará a campainha tocar.

    A segunda melhor coisa de ser atendido por um robô no serviço de quarto é que você pode estar pelado ou de cuecas que não haverá constrangimento algum. A primeira, no entanto, é que você pode ficar pelado ou de cuecas em sua cama. Quando ouvir a campainha, peça ao assistente virtual para "kai men", que literalmente significa "abrir a porta" e o robô entrará até você. Não que eu tenha recebido o robô nu em meu quarto. O fato de não haver vídeo desta entrega é simples coincidência.

    O robô delivery possui três gavetas, o que lhe permite sair da cozinha com três entregas. Para evitar que um hóspede furte a refeição de outro, cada usuário recebe uma senha por mensagem de texto e deve digitá-la em um LCD no robô, para acessar exclusivamente seu pedido.

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    Robô delivery: ele não se importa se sua roupa (ou a falta delas) é ridícula

    Áreas comuns de hotéis chineses, como uma sala de caraoquê (o famoso KTV) e lobby bar são também apinhados de tecnologia, como o uso dos braços mecânicos Ratio, capazes de preparar bebidas e servi-los com exímia precisão em copos de vidro delicados, manipulando garrafas e taças.

    A ideia básica por trás do FlyZoo foi criar um show room de tecnologias de inteligência artificial que a companhia possa vender para empresas de hospitalidade no mundo todo. De acordo com a corporação chinesa, construir um hotel similar ao Fly Zoo, com todas as tecnologias embarcadas em seus 290 quartos, custa US$ 736 mil, além de US$ 200 mil anuais em custos de manutenção.

    A companhia calcula que a redução com gastos de pessoal, em função da automação, é da ordem de 50%, o que pagaria os investimentos em um prazo de até 8 anos. Além disso, a empresa aposta que o apelo cool do uso intensivo de tecnologia torne os hotéis que adotarem as soluções do Alibaba mais rentáveis, justamente por atrair mais hóspedes e ter taxas de ocupação mais elevadas.


    Self check-in: cadastre seu rosto e vá para seu quarto

    Como usuário, é impressionante o grau de maturidade das tecnologias apresentadas, com falhas mínimas, que quase todas atribuo ao fato de, sendo estrangeiro, pronunciar com erro ou sotaque acentuado demais os comandos em chinês. É simbólico também que o "Estado-da-Arte da hotelaria com Inteligência Artificial" (AI, na sigla em inglês) ignore totalmente qualquer idioma que não o chinês, na enésima demonstração de que a China é tão grande, com um mercado interno tão promissor, que mesmo companhias brilhantes como o Alibaba dão se ao luxo de ignorar o resto do mundo em sua vitrine de AI.

    https://copyfromchina.blogosfera.uol.co ... o-alibaba/

     Morador do Quarto
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    Bom Caráter escreveu: China e a tecnologia 5G: a nova revolução nas telecomunicações

    Conectividade 5G promete provocar uma revolução nos modelos de negócios e nas cadeias de valor a nível internacional

    A China vem promovendo uma série de investimentos em ciência e inovação. Dentro deste escopo mais amplo, encontra-se a tecnologia de telecomunicações 5G, aspecto no qual a Ásia está despontando como líder no cenário global. Espera-se que a conectividade 5G provoque uma revolução nos modelos de negócios e nas cadeias de valor a nível internacional.

    Para que possamos dimensionar o potencial aportado pelas novas tecnologias, cabe mencionar as transformações ocorridas nas gerações anteriores da comunicação sem fio. A primeira geração permitiu a realização de ligações telefônicas sem fio. A segunda geração permitia além disto, o envio de mensagens SMS. A terceira geração permitiu o acesso à sites da internet, ainda que com pouca velocidade e dinamismo, se comparada aos padrões atuais. Já a tecnologia 4G permitiu o acesso e a transmissão de vídeos ao vivo, além de ter possibilitado o surgimento de novos modelos de negócios através do Sistema de Posicionamento Global (GPS, na sigla em inglês), tais como o UBER e o Airbnb.

    Por sua vez, o 5G não conecta apenas smartphones, mas qualquer objeto que possua um chip. Neste ponto, podemos pensar na internet of things (IOT), ou seja, a aplicação de internet à objetos da vida cotidiana. Podemos igualmente pensar em carros inteligentes e/ou smart cities. Essencialmente, a 5G possibilitará que quase qualquer objeto da vida cotidiana colete e transmita dados, com uma velocidade estimada a ser 100 vezes superior à proporcionada pelo 4G.

    Neste sentido, fazendo uma comparação com a economia tradicional, o veículo de mídia The Economist afirma que o acesso, controle e o uso de dados são comparáveis à detenção de petróleo no que diz respeito ao seu potencial para acumulação de capital na economia digital, setor que se propaga para o futuro: “Data is the new oil” (os dados são o novo petróleo).

    O estudo prospectivo realizado pela empresa de consultoria Ernst Young estima que a China deverá possuir 40% do total global de usuários conectados ao 5G até 2025. A atual tensão comercial entre China e Estados Unidos tem como pano de fundo a disputa geopolítica pelo desenvolvimento e controle de tecnologias que vão originar a nova geração de empresas que dominarão os mercados mundiais em diversos segmentos. No cerne deste debate se encontra a capacidade da China no desenvolvimento 5G.

    No caso da tecnologia 5G, a Huawei é a empresa que está capitaneando este processo. Em dezembro de 2018, os Estados Unidos (EUA) ordenaram a prisão da diretora financeira da companhia, Meng Wanzhou, por supostas violações à propriedade intelectual. Desde então, a Austrália e a Nova Zelândia se uniram aos EUA banindo a Huawei de suas atividades nesses países.

    Ainda não existem informações suficientes para que se possa analisar conclusivamente estes casos, dado o período recente de sua ocorrência. No entanto, especialistas afirmam que é necessário levar em consideração a dimensão geopolítica envolvida no controle e produção de novas tecnologias, que está ligada às disputas com a Huawei. A empresa é especialmente qualificada para a produção da infraestrutura necessária para a expansão da nova tecnologia e os Estados Unidos têm receio de ficar dependentes de fornecedores chineses. Além disso, a China está bem posicionada para angariar as vantagens inerentes à posição.

    Se os fatos geopolíticos continuarem ditando as regras no campo do desenvolvimento 5G, existe o risco de que se produzam dois ecossistemas separados: o primeiro deles centrado nos Estados Unidos, se espraiando para os seus principais aliados transatlânticos; e outro centrado na China e se espraiando pelo espaço eurasiático, pela África e, possivelmente, pela América Latina.

    Neste cenário existe a maior probabilidade de aproximação dos países em desenvolvimento em relação à China, devido às suas vantagens de custo e à estratégia chinesa de prover financiamento para projetos de infraestrutura ao redor do mundo.



    https://jornalggn.com.br/economia/china ... ardo-kotz/
    Tanto faz, os chineses não podem usar a internet direito mesmo.
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